Archive for November, 2007
« Mas o resultado é que desvaloriza o “vivido” das pessoas. Em nome da ciencia, arrisca-se a tirar às pessoas as suas razões de viver. O que é que lhe dá direito de as privar das suas ilusões? »
Não me lembro de quem, nem de onde.
Add comment Sunday, 25 November 07
« – Não trabalhas dois turnos porque o branquinho tem medo do teu cu negro, velho. Tem medo de que os ataques, que te ponhas violento. Vês, ainda não nos temem, José. Ainda não, velho, mas um dia, esse dia chegará, velho. Receberemos o respeito que merecemos. Vamos recuperar a Califórnia, recuperaremos a terra que era nossa, velho.
- Não quero que tragas a tua ira para a minha cozinha, jovem.
- Quero que tires a tua mão do meu ombro, negro.
- Muito bem, continua assim. Sabes, as primeiras vezes que tentei fazer esta sobremesa, não me saiu bem. Demasiado açúcar uma vez, na seguinte já faltava, não podia encontrar o equilíbrio. Dei-me conta daquilo que estava a forçar. Sabes, tratava de fazer com que tivesse o mesmo sabor que o da minha mãe, ou da mãe dela. O meu não tinha poesia, não tinha luz. E então dei-me conta de que me empenhava em forçá-lo a ter o mesmo sabor que o da minha mãe, que o da mãe dela. Vês, tinha que ser a criação do Edward. Tinha que sair de mim. Bom, tu, Miguel, não tens… nada para oferecer. Não tens poesia, não tens luz. Não tens ninguém que te veja e diga: “Maldição! Olhem o Miguel. Eu quero algo do que tem.” Tu só tens ira. (…)Sabes, eu costumava ser igual a ti. Tinha ira. E então, depois de terem morto o Dr. King…bom, tinha ira dentro de mim que tu nem imaginas. Os brancos não tentam oprimir-te, Miguel. Os brancos não gostam é que os esqueçam. Eles hão-de cair em si. Só tens de fazer parecer que a ideia foi deles, como se tivessem sido eles a lembrar-se das coisas. Eles necessitam sentir que são eles os grandes emancipadores. Como se fosse de esperar deles esse papel. Deixa-os ser os “emancipadores”. Se for preciso, deixa-os ser. »
« Não é um bom dia para a política. Guardei esta oportunidade, o meu único evento do dia para falar-Ihes brevemente sobre a ameaça irracional da violência nos Estados Unidos, que outra vez mancha a nossa terra e todas as nossas vidas. Não é matéria de preocupação de nenhuma raça em particular. As vítimas da violência são negras e brancas, ricas e pobres, jovens e anciãos, famosas e desconhecidas. São, acima de tudo, seres humanos que outros seres humanos amavam e de quem necessitavam. Ninguém, não importa onde viva o que faça pode estar certo de que quem for o próximo a sofrer será um derramamento de sangue absurdo. E no entanto, continua e continua a acontecer no nosso país. Porquê? O que conseguiu a violência alguma vez? O que criou? Cada vez que uma vida americana é tirada sem necessidade por outro americano seja realizada em nome da lei ou desafiando a lei, por um homem ou por um grupo, a sangue frio ou num momento de desespero num ataque de violência ou como resposta à violência, cada vez que extraviamos o quadro das nossas vidas que outro homem com dor e sofrimento pintou para si próprio e para os seus filhos cada vez que o fazemos, então toda a nação se degrada. No entanto, parece que toleramos o crescente nível de violência que ignora conjuntamente a humanidade que temos em comum e a nossa promessa de civilização. Demasiadas vezes, honrámos a ostentação e a presunção e os que exercem a força. Demasiadas vezes apoiámos aqueles dispostos a construir as suas próprias vidas sobre os sonhos desfeitos de outros seres humanos. Mas isto é muito mais claro: A violência gera violência, a repressão gera represálias, e só a purificação de toda a nossa sociedade pode remover esta enfermidade das nossas almas. Porque quando ensinas um homem a odiar e a temer o seu próximo, quando lhe ensinas que é um homem inferior pela sua cor ou pelas suas crenças ou pelos seus ideais políticos quando ensinas que os que diferem de ti ameaçam a tua liberdade o teu trabalho a tua casa ou a tua família, então tu também aprendes a enfrentar os outros…não como concidadãos, mas sim como inimigos. A não encontrar cooperação, mas sim conquista. A ser subjugado e dominado. Aprendemos, por último, a ver os nossos irmãos como estranhos. Homens estranhos com quem partilhamos uma cidade, mas não uma comunidade. Homens ligados a nós por ruas e casas comuns mas sem esforço comum é impossível acreditar… Aprendemos a partilhar só um medo comum, só o desejo comum de nos afastar uns dos outros. Só o impulso comum de responder à discórdia pela força. As nossas vidas neste planeta são demasiado curtas. A tarefa a realizar é demasiado grande para permitir que este espírito continue a prosperar nesta nossa terra. É claro que não podemos eliminá-lo com um programa qualquer nem com uma resolução…mas talvez possamos recordar, nem que seja por um tempo, que os que vivem connosco são nossos irmãos, que eles partilham connosco o mesmo breve momento de vida, que eles procuram, como nós, nada mais que a oportunidade de viver as suas vidas com propósito e felicidade, ganhando a satisfação e a realização possível. Sem dúvida, este vínculo de destino comum, seguramente este vínculo de metas comuns pode começar a ensinar-nos algo. Seguramente podemos aprender, pelo menos, a olhar à nossa volta e vermos, ver os nossos homens, e certamente podemos começar a trabalhar um pouco mais, para sarar as feridas e converter-nos, de todo coração, em irmãos e compatriotas outra vez.
Emilio Estevez (2006); Bobby
Add comment Tuesday, 20 November 07
« Um Homem, sentou-se sozinho. Afundado na tristeza. E todos os animais aproximaram-se dele e disseram :
- Não gostamos de te ver assim tão triste…pede-nos o que quiseres e tê-lo-ás.
O Homem disse :
- Quero ter uma boa visão.
O abutre retorquiu-lhe :
- Terás a minha.
O Homem disse :
- Quero ser forte.
Ao que o jaguar respondeu :
-Tu serás forte como eu.
Então o Homem disse :
- Anseio saber os segredos da terra.
A serpente retorquiu :
- Eu vou mostrar-tos.
E foi assim com todos os animais.
E quando o Homem recebeu tudo o que eles podiam dar…ele foi-se embora.
Então a coruja disse para os outros animais :
- Agora o homem sabe muito e será capaz de fazer muitas coisas. De repente, fiquei com medo.
O veado disse :
- O homem tem tudo o que precisa. Agora a sua tristeza irá parar.
Mas a coruja retorquiu :
- Não. Eu vi um buraco no Homem…tão fundo quanto uma fome que ele nunca sentirá. É o que o faz ficar triste e o que o faz desejar. Ele continuará em frente a tirar e tirar. Até que um dia o Mundo dirá: “Eu já não sou nada e nada mais tenho para dar”. »
Mel Gibson (2006), Apocalypto
Add comment Saturday, 17 November 07
« The wide distribution of popular culture not only reduces the level of cultural quality – or civilization – of the society, but also encourages totalitarianism by creating a passive audience peculliarly response to the techniques of mass persuasion used by demagogues bent on dictatorship »
« The criticism of the process by which popular culture is created consists of the three related charges: that mass culture is an industry organized for profit; than in order for this industry to be profitable, it must create homogeneous and standardized product that appeals to a mass audience; and that this requires a process in which the industry transforms the creator into a worker on a mass production assembly line, requiring him or her to give up the individual expression of his own skill and values »
Gans, Herbert J. (1999), Popular Culture & High Culture: An Analysis and Evaluation of Taste (Revised and Updated Edition), New York: Basic Books, pp. 29, 30
Add comment Saturday, 17 November 07
« Meteu-se na água e sentiu-se leve:
- Posso voar! – disse para si.
Assim, acreditou que era um pássaro que até podia voar pelo fundo do mar.
E como ninguém o contrariou, ali ficou, todo feliz e convencido de que nunca fora um elefante e que nunca o haveria de ser. »
Ferner, Marta Rivera (2003), O Elefante que Não era Elefante, Deriva Editores
Add comment Saturday, 17 November 07
« Well, I think I’ve come to the conclusion that I feel pretty out of control in my life. Stores play music to get me to buy more. Work tells me what to do and when. Traffic decides how quickly I get from here to here. Even being in public places forces me to endure other people and their habits (the guy slurping his soup, the brat crying for candy). (..) I am really tired of living on someone else’s schedule. The MP3 digital revolution has given me some control back. »
Bull, Michael (2005), No Dead Air! The iPod and the Culture of Mobile Listenin, in: Leisure Studies, Vol. 24 (4), pp. 335-443
2 comments Friday, 16 November 07
« I have no idea where this will take you, but I’m sure it will be a place both wonderful and strange.. »
Add comment Friday, 16 November 07
« Individual self-respect, self-esteem, and sense of identity are socially constituted and depend on others’ confirmation »
Parekh, Bhikku (2004), Redistribution or Recognition: a Misgued Debate, in: S. May, T. Modood and J. Squires (eds), Ethnicity, Nationalism and Minority Rights, Cambridge
Add comment Friday, 16 November 07